Atualmente, a palavra tendência parece sempre vir associada a alguma evolução tecnológica, uma nova máquina ou programa que promete mudar totalmente a maneira como as coisas são.

Quando se fala em varejo, por exemplo, a citação do omnichannel é quase automática, concorda?

É fato que a tecnologia é cada vez mais presente nas nossas vidas e impacta profundamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos comportamos quando estamos comprando. Porém, nem todas as mudanças que devemos ver nos próximos anos no mercado estão ligadas à tecnologia ou pelo menos, não totalmente.

O dia a dia em contato com empresas de vários de setores e também a observação e leitura sobre o que acontece fora do Brasil, mostra algumas tendências do varejo que devemos ver mais rápido do que pensamos.

A seguir listo algumas. Confira e dê sua opinião no final do texto.

O fim dos canais como conhecemos

O mercado se organizou no século XX separando setores por seus respectivos canais de distribuição. O varejo alimentar possui canais que vão de bares e padarias até hipermercados, o varejo de medicamentos possui as farmácias e assim por diante.

Como vemos já há alguns anos em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, grandes redes varejistas, como Walmart Costco, Tesco ou Carrefour, têm “matado” a variedade de canais e concentrando em apenas um lugar todos os setores.

O canal farma americano, por exemplo, foi incorporado ao de supermercados há muitos anos e o movimento contrário também aconteceu. Redes que tradicionalmente vendem medicamentos, como a CVS e o Walgreens, transformaram suas lojas em minimercados, vendendo muito mais do que remédios, produtos de higiene e cosméticos.

Esta semana, o portal Business Insider publicou um artigo sobre como a Amazon pode mudar radicalmente nada menos do que 10 setores do mercado, entre eles o de alimentos, livros, remédios e até pilhas e baterias se decidir entrar nestes segmentos, fechando lojas tradicionais e incorporando seus produtos.

No Brasil, as grandes redes estão se movimentando. O Walmart tem novos donos, o Carrefour quer avançar com o seu modelo de loja Express e a discussão sobre a venda de remédios nos supermercados anda na pauta em Brasília.

Não será surpresa se nos próximos anos o país passar por uma diminuição drástica de canais e a concentração de muitos setores em lojas gigantes, sejam elas físicas ou online.

Pontos de venda avaliados por tamanho

Seguindo a mesma lógica, se o mercado não for mais tão dividido por tipos de lojas, é possível que uma nova maneira de se classificar estes PDVs “generalistas” surja: o tamanho.

Uma loja poderá ser classificada pela quantidade de checkouts que possui: de 1 a 4, de 5 a 9, e assim por diante. Isso já acontece hoje no setor supermercadista, mas poderá ser expandido tornando-se uma das tendências do varejo de diversos segmentos.

O domínio do autoatendimento

O modelo de loja de conveniência autônoma, totalmente automatizada, com nenhum ou pouquíssimos funcionários, como a americana Amazon Go e a chinesa Bingo Box pode ainda demorar um tempo para se firmar no mercado nacional por conta dos custos de implantação.

A ideia da área de vendas na qual o shopper se serve sozinho – que há décadas não é uma novidade – porém, pode se tornar ainda mais comum, com PDVs cada vez mais automatizados e suporte de aplicativos para mobile, além dos self checkouts que estão se popularizando nos supermercados.

A Zaitt, primeira loja nacional a seguir os passos da Amazon Go, possui uma unidade em Vitória, mas acaba de anunciar que se tornará uma rede com a abertura de duas lojas em São Paulo e mais uma no Espírito Santo.

Promotor “especialista” ganha importância

Lojas inteligentes e com poucos funcionários são tendências do varejo que podem ser um grande negócio para o varejista, principalmente quando se pensa em custo. Para as marcas (principalmente para os seus departamentos de marketing e trade marketing), por outro lado, podem tornar o desafio de entender o shopper e superar a concorrência ainda maior.

Produtos que necessitem uma explicação ou demonstração, por exemplo, simplesmente não se encaixam no modelo de loja autônoma.

Para resolver esta questão a função de promotor especialista pode ganhar força. Mais do que um vendedor, ele deve ser um consultor de vendas, auxiliando o shopper na hora da escolha.

Hoje em dia esta função já existe e é fundamental em segmentos de produtos com muita variedade e especificidades. É comum no universo dos cosméticos, mas também é importante nos setores de alimentos e bebidas.

Na loja de Nova York da rede italiana Eataly, por exemplo, um especialista em azeites ajuda os clientes a conhecerem os produtos antes da compra.

A função pode se tornar ainda mais importante se as lojas se tornarem menos pontos de venda e mais locais de experimentação de produtos, o que já vem acontecendo em alguns segmentos. As marcas precisam ficar atentas.

Quais tendências do varejo você enxerga?

Como o segmento de atuação da sua empresa está se desenvolvendo?  Você percebe alguma destas tendências do varejo acontecendo ou outras que não estão relacionadas diretamente à tecnologia? Comente abaixo, após o artigo.

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Até a próxima semana!

 

Sobre o autor
Tarcísio Bannwart
Tarcísio Bannwart
Diretor executivo - CEO
Criador do Trade Marketing Force, o portal de gestão mais completo do mercado

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